BOMBA: Olha só o que Lula disse sobre Donald Trump, falou… Ler mais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a adotar nesta quinta-feira (28.ago.2025) um tom firme diante do embate comercial com os Estados Unidos. Em meio ao impasse criado após a decisão do governo Donald Trump (Partido Republicano) de impor tarifas de 50% sobre parte dos produtos brasileiros, o petista afirmou que não ficará “mendigando” diálogo com Washington. Para ele, a resistência em abrir canais de negociação parte do próprio presidente norte-americano, que, segundo Lula, “se acha o dono do planeta”. Apesar da tensão diplomática, o mandatário brasileiro declarou estar pronto para conversar quando houver disposição do outro lado.
Durante discurso em Brasília, Lula ressaltou que não se trata de recusar o diálogo, mas de não aceitar subordinação. “Tenho três ministros tops para negociar, só que ninguém nos Estados Unidos quer conversar porque o presidente deles se acha o dono do mundo”, declarou. A referência foi uma crítica direta à postura de Trump, que desde o anúncio do tarifaço tem reforçado um discurso nacionalista, justificando a medida como forma de proteger a indústria norte-americana. Lula, por sua vez, argumenta que a decisão é prejudicial não apenas ao Brasil, mas também ao consumidor dos EUA, que será o verdadeiro penalizado pelo aumento nos preços.
Questionado sobre a possibilidade de telefonar para Trump a fim de destravar as negociações, Lula reagiu com ironia. “Sabe o que acontece? O Lula aprendeu a andar de cabeça erguida. Porque um homem que se respeita, que tem dignidade, não rasteja diante de outro homem”, disse. O presidente deixou claro que não pretende dar sinais de submissão, lembrando que já viveu experiências semelhantes em mandatos anteriores, quando o Brasil diversificou suas parcerias comerciais e reduziu a dependência dos Estados Unidos.
O petista reforçou que não está disposto a insistir em uma relação desequilibrada. “Não pensem que o Lula vai ficar mendigando uma conversa, não. O Lula vai procurar outros parceiros. Eu não vou ficar chorando, vou trabalhar para que o Brasil tenha outros mercados que queiram comprar o que a gente vende. E a hora que os Estados Unidos quiserem conversar, nós estaremos prontos”, afirmou. A fala sinaliza que o governo já estuda estratégias para fortalecer acordos bilaterais e regionais, especialmente com países da Ásia, da África e com vizinhos latino-americanos.
A retaliação norte-americana, entretanto, não é vista com a mesma serenidade por todos os setores da economia brasileira. Produtores rurais, exportadores de aço e setores industriais diretamente afetados temem perdas significativas de competitividade. A tarifa de 50% sobre determinados produtos brasileiros pode inviabilizar contratos e comprometer investimentos planejados para os próximos anos. Empresários pressionam o Palácio do Planalto por uma resposta mais assertiva, ao mesmo tempo em que avaliam caminhos jurídicos junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ainda assim, Lula aposta na resiliência da economia brasileira e na força da diplomacia. O presidente lembrou que, ao longo de seus governos anteriores, o Brasil se destacou pela diversificação de parcerias estratégicas, expandindo laços com a China, Rússia, países africanos e árabes. “O mundo é muito maior do que os Estados Unidos”, resumiu. Para ele, a busca por novos mercados pode transformar a crise em oportunidade, reposicionando o país no cenário global e reduzindo vulnerabilidades externas.
Por fim, Lula voltou a responsabilizar Trump pelo impacto que o tarifaço trará dentro do próprio território norte-americano. Segundo ele, ao impor barreiras comerciais, os Estados Unidos acabarão punindo sua própria população, que terá de lidar com alta nos preços e maior pressão inflacionária. “O principal prejudicado não será o povo brasileiro, mas o povo norte-americano”, disse. A frase sintetiza o tom de desafio do petista, que aposta em manter firmeza política sem romper de vez os canais diplomáticos. Com esse discurso, Lula busca transmitir confiança ao mercado interno e mostrar aos aliados que não pretende recuar diante das pressões externas — ainda que o embate com Trump abra mais um capítulo turbulento na já complexa relação entre Brasil e Estados Unidos.
