Notícias

Após chamar Cármen Lúcia de BRUX4 deputado do PL acaba sendo p… Ver mais

A sessão do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) ganhou grande atenção política nesta segunda-feira (9). O deputado estadual Ricardo Arruda (PL) compareceu ao colegiado para prestar esclarecimentos em um processo que investiga possível quebra de decoro parlamentar. O caso ganhou repercussão após declarações feitas pelo parlamentar durante discurso na tribuna da Casa, em setembro de 2025. A fala, direcionada à ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, gerou debates dentro e fora do Legislativo paranaense e motivou a abertura formal da investigação.

A reunião foi conduzida pelo presidente do conselho, o deputado Delegado Jacovós (PL), que coordenou os trabalhos e ouviu as explicações do parlamentar investigado. Durante o encontro, os integrantes do colegiado também avançaram em outros assuntos relacionados ao funcionamento do conselho. Entre as decisões tomadas, foi definida a relatoria de uma nova representação apresentada pelo próprio Arruda contra o deputado Goura (PDT). O responsável por analisar esse novo processo será o deputado Tito Barichello (União), designado para conduzir a avaliação inicial do caso.

A representação que resultou na investigação contra Arruda tem origem em um discurso realizado na sessão plenária de 16 de setembro de 2025. O documento que formalizou a denúncia foi apresentado por um grupo de parlamentares da própria Assembleia: Mabel Canto (PP), Ana Júlia (PT), Cloara Pinheiro (PSD), Cristina Silvestri (PP), Luciana Rafagnin (PT), Maria Victoria (PP) e Marli Paulino (SD). As deputadas argumentam que a declaração feita na tribuna ultrapassou os limites do debate político e institucional, motivo pelo qual solicitaram a análise do Conselho de Ética.

No texto da representação, as parlamentares afirmam que o episódio levanta discussões importantes sobre o respeito nas relações institucionais e sobre a presença feminina em posições de liderança e poder. Segundo elas, a fala do deputado teria reforçado estigmas históricos associados à atuação de mulheres na política e em cargos de grande responsabilidade. Para as autoras da denúncia, esse tipo de manifestação precisa ser avaliado pelo colegiado responsável pela conduta parlamentar, garantindo que o debate público ocorra dentro dos princípios de respeito e responsabilidade institucional.

Durante o depoimento ao Conselho de Ética, Ricardo Arruda apresentou sua versão dos fatos e procurou esclarecer o contexto da declaração. O deputado afirmou que sua fala não teve a intenção de direcionar críticas pessoais à ministra Cármen Lúcia. De acordo com ele, o comentário ocorreu dentro de uma análise política relacionada a uma manifestação feita pela magistrada durante um julgamento no Supremo Tribunal Federal. Arruda também destacou que, em sua interpretação, não houve menção nominal direta à ministra durante o discurso que motivou a representação.

Com o depoimento registrado, o Conselho de Ética deverá agora analisar os argumentos apresentados pelas partes e dar continuidade ao processo. O colegiado poderá solicitar novos esclarecimentos, avaliar documentos e discutir os próximos encaminhamentos antes de chegar a uma conclusão. Enquanto isso, o caso continua acompanhando de perto o debate político no Paraná, chamando a atenção para os limites do discurso parlamentar e para a importância do diálogo institucional em um ambiente democrático.