Próximo ao julgamento do pai, esse é o plano de Eduardo caso Bolsonaro seja p… Ler mais

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) movimentou o cenário político ao declarar, nesta sexta-feira (29), que pretende disputar a Presidência da República caso seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), permaneça inelegível. A afirmação foi feita em entrevista ao portal Metrópoles, diretamente dos Estados Unidos, onde o parlamentar se encontra desde fevereiro. A declaração reforça a incerteza em torno da sucessão do bolsonarismo e acende o debate sobre a reorganização da direita no país diante da ausência de Jair Bolsonaro no pleito de 2026.
Segundo Eduardo, a possibilidade de sua candidatura seria uma alternativa natural para manter viva a chama do movimento que seu pai lidera. “Se o meu pai não puder se candidatar, eu gostaria de sair candidato”, disse o deputado, ressaltando que já está em seu terceiro mandato e conhece os bastidores políticos. No entanto, ele reconheceu que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparece como um nome forte para herdar o espólio eleitoral do ex-presidente, e admitiu que, caso Tarcísio migre para o PL, pode ser obrigado a buscar outro partido. A fala revela fissuras internas e possíveis disputas de protagonismo dentro do campo bolsonarista.
Além da corrida eleitoral, Eduardo Bolsonaro enfrenta questionamentos quanto à sua permanência fora do país. Em março, ele pediu licença do mandato por 120 dias, mas desde 21 de julho voltou oficialmente às atividades parlamentares sem regressar ao Brasil. Agora, o deputado solicitou autorização formal à Câmara dos Deputados para exercer suas funções remotamente dos Estados Unidos, justificando que estaria sofrendo “perseguição política” e não poderia retornar. A decisão sobre o pedido caberá ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que terá de enfrentar críticas e possíveis repercussões institucionais.
O parlamentar ainda levantou a possibilidade de realizar uma campanha presidencial de forma inédita no Brasil: totalmente virtual. Para ele, essa seria a saída caso continue impossibilitado de retornar. “Talvez a primeira campanha virtual da história do país”, declarou. Eduardo acrescentou que acredita em uma eventual anistia política a seu pai até 2026, o que, na visão dele, abriria caminho para a candidatura de Jair Bolsonaro. Enquanto isso não acontece, mantém o discurso de que uma candidatura própria é viável, mesmo em circunstâncias adversas.
As controvérsias em torno de Eduardo Bolsonaro, porém, não se restringem ao campo eleitoral. O deputado é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga suposta conspiração contra o Judiciário brasileiro e a defesa de sanções internacionais contra o país. Nos Estados Unidos, ele admitiu ter sugerido ao ex-presidente Donald Trump a aplicação de medidas contra o ministro Alexandre de Moraes, mas afirmou que a proposta foi adaptada para atingir setores econômicos brasileiros. Desde 6 de agosto, Washington impôs sobretaxas de 50% a alguns produtos nacionais, ampliando a tensão diplomática.
No Brasil, a repercussão política também se intensifica. Nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu publicamente a cassação do mandato de Eduardo, classificando-o como “o maior traidor da história do país”. O Conselho de Ética da Câmara já recebeu quatro representações contra o parlamentar — três protocoladas pelo PT e uma pelo PSOL — que pedem investigação por quebra de decoro e possível perda de mandato. As acusações incluem conspiração contra o Judiciário e apoio a sanções que impactam diretamente a economia nacional.
Em meio a esse turbilhão, Eduardo Bolsonaro busca se manter como figura central da direita, equilibrando o discurso de perseguição política com a tentativa de projetar-se como sucessor natural de seu pai. O dilema, no entanto, é complexo: de um lado, enfrenta processos que podem levar à cassação de seu mandato; de outro, precisa disputar espaço com Tarcísio de Freitas, visto por aliados como alternativa mais competitiva. Enquanto isso, a incerteza paira sobre o futuro do bolsonarismo e sobre o papel que Eduardo, de longe, pretende desempenhar no tabuleiro político brasileiro.
