Triste e abatido: Bolsonaro cai no choro e choca ao dizer q… Ler mais

Em prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem vivido dias de forte abalo emocional. Sob vigilância integral e à espera de julgamentos no Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro recebeu nesta semana a visita do vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo (PL). O encontro durou quatro horas e foi marcado por confidências, lembranças da trajetória política e desabafos que evidenciam o peso do momento vivido pelo ex-chefe do Executivo. Segundo relatos, em determinado instante, Bolsonaro se emocionou e afirmou: “Minha vida já acabou”.
De acordo com Mello Araújo, a visita teve como objetivo animar o ex-presidente, que se encontra em reclusão e sem participar diretamente do cenário político. “Na minha carreira, visitei policiais que acabaram presos em ocorrências, mas depois foram absolvidos. Eu sei o que a pessoa passa nesse período”, disse o coronel, que foi indicado por Bolsonaro como vice na chapa do prefeito Ricardo Nunes (MDB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Para ele, o momento é de solidariedade e de tentar manter o aliado firme diante das pressões.
A conversa entre os dois, segundo Araújo, foi permeada por memórias e reflexões. Bolsonaro teria relembrado sua trajetória, desde os anos no Exército até a chegada ao Palácio do Planalto, ressaltando as dificuldades e as vitórias conquistadas ao longo do caminho. “Ele começou a contar a história da vida dele, e eu tentava jogar ele para cima. Disse que essa fase é apenas mais um obstáculo, como a facada em 2018 ou o acidente no salto de paraquedas. Ele é ousado, não para. Só precisa enxergar que ainda tem muito pela frente”, relatou o vice-prefeito.
Apesar dos esforços de incentivo, Bolsonaro demonstrou fragilidade. Segundo Araújo, ao refletir sobre a idade e a perspectiva de condenação, o ex-presidente se emocionou profundamente. “Ele disse: ‘Estou com 70 anos, a minha vida já acabou’. E eu respondi que não, que ele ainda está no jogo. Falei que sua trajetória será filme de Hollywood, com um final feliz, porque acreditamos que Deus vai intervir e um fato novo pode mudar tudo isso”, contou. O episódio revela uma faceta mais vulnerável de Bolsonaro, acostumado a se apresentar publicamente como figura de força e resistência.
O estado de saúde do ex-presidente também foi tema da visita. O coronel afirmou ter recomendado exercícios físicos para melhorar a disposição de Bolsonaro, mas encontrou resistência. “Eu montei um treino físico para ele se exercitar em casa, na esteira. Ele respondeu que não dava, mas que faria depois. Ele precisa recuperar a saúde para pensar com clareza e tomar as decisões certas”, afirmou. O relato reforça a imagem de um Bolsonaro abatido, ainda que cercado por aliados que insistem em sua recuperação política e pessoal.
Outro ponto que chamou atenção foi a crítica de Araújo ao que chamou de “espólio eleitoral” de Bolsonaro. Segundo ele, enquanto o ex-presidente enfrenta um processo judicial delicado, setores da política já articulam a sucessão e tentam capitalizar em cima de sua base de apoiadores. “Ele não está com cabeça em eleição. Acho sacanagem quererem tirar proveito da situação. Estão enterrando ele vivo, colocando quarenta anos nas costas dele. Fico indignado de ver tanto bandido solto — traficante, homicida, ladrão — e Bolsonaro preso”, declarou, em tom de indignação.
O desabafo de Mello Araújo expõe não apenas a situação pessoal de Bolsonaro, mas também as disputas políticas que orbitam em torno de sua figura. Mesmo afastado dos palcos públicos, o ex-presidente segue sendo peça-chave no tabuleiro eleitoral, visto por aliados como símbolo de resistência e por adversários como ameaça a ser neutralizada. Resta saber se Bolsonaro conseguirá transformar a adversidade em combustível político, como fez em outros momentos de sua carreira, ou se este será, de fato, o capítulo mais difícil de sua trajetória.
