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A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada na última segunda-feira (4), desencadeou uma ofensiva silenciosa nos bastidores da política internacional. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o jornalista Paulo Figueiredo têm se movimentado intensamente nos Estados Unidos, buscando conter possíveis sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e evitar tarifas adicionais a produtos brasileiros. A movimentação revela uma tentativa de evitar um agravamento ainda maior nas relações entre o bolsonarismo e setores institucionais, além de proteger interesses econômicos ligados à base de apoio da direita no Brasil.
Segundo apuração da CNN, o esforço dos dois agentes próximos ao ex-presidente é interpretado como um pedido informal de “pausa” nas represálias que setores do governo americano estariam cogitando aplicar. A medida, ainda não formalizada, seria um gesto estratégico para manter um canal mínimo de diálogo com os ministros do STF e tentar estabelecer uma espécie de “pacto de convivência”, mesmo em meio à tensão jurídica e política instalada após a decisão que levou Bolsonaro à prisão domiciliar.
De forma pública, Eduardo e seus aliados vêm concentrando críticas no ministro Alexandre de Moraes, relator de diversas ações contra o ex-presidente, enquanto poupam os demais magistrados do STF. A tática não é aleatória: ao preservar outros ministros do Supremo, os interlocutores do bolsonarismo esperam evitar uma ruptura institucional completa, além de facilitar eventuais conversas futuras que possam amenizar o embate político-judicial. Ao mesmo tempo, buscam sinalizar à comunidade internacional que ainda existe espaço para diálogo e moderação por parte do campo bolsonarista.
Nos Estados Unidos, a argumentação usada por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo para conter uma possível escalada nas sanções envolve também aspectos econômicos. Ambos têm alertado interlocutores da Casa Branca que novas tarifas sobre produtos brasileiros — especialmente do agronegócio — atingiriam diretamente produtores que compõem a base de apoio do ex-presidente. Em outras palavras, essas medidas poderiam enfraquecer ainda mais a direita no Brasil e abrir espaço para um realinhamento de forças políticas desfavorável aos interesses conservadores no continente.
Embora não tenham poder direto sobre as decisões de tarifas internacionais — que competem ao governo americano — Eduardo e Figueiredo buscam sensibilizar congressistas republicanos e setores do Departamento de Estado que veem com reservas o protagonismo judicial no Brasil. Fontes ligadas ao Partido Republicano teriam demonstrado preocupação com a prisão de um ex-chefe de Estado em circunstâncias que, segundo esses aliados, poderiam configurar um desequilíbrio de poder entre Judiciário e Executivo. Essa narrativa está sendo reforçada pelo entorno bolsonarista como forma de legitimar suas investidas no exterior.
A movimentação internacional ocorre em meio a uma crise interna no Brasil, onde a polarização política alcança novos patamares. A prisão de Bolsonaro foi recebida com indignação por seus apoiadores, que denunciam perseguição política, enquanto críticos do ex-presidente apontam que a medida representa a aplicação da lei diante de sucessivas investigações que envolvem o ex-mandatário. Nesse cenário, qualquer iniciativa externa que aumente a pressão econômica sobre o país pode ser interpretada como munição adicional em uma guerra política já altamente inflamável.
Enquanto a opinião pública se divide, os próximos passos do embate entre o bolsonarismo e o STF permanecem incertos. O que se sabe, até agora, é que a estratégia de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo visa mais do que a diplomacia: ela busca preservar não apenas a imagem internacional do ex-presidente, mas também sua viabilidade política e a estabilidade de sua rede de apoio econômico e institucional. O sucesso — ou fracasso — dessa articulação internacional poderá influenciar diretamente o futuro da direita no Brasil e o papel do país no tabuleiro geopolítico latino-americano.






