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O único pedido de Bolsonaro à Valdemar antes de julgamento no STF: “Não me m…Ver mais

Faltando menos de uma semana para um julgamento que pode impactar diretamente seu futuro político, o ex-presidente Jair Bolsonaro mantém os olhos não apenas voltados para sua defesa, mas também para a continuidade de seu legado familiar na política. Em reunião reservada nesta quinta-feira (28) com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, Bolsonaro foi categórico: não abre mão da candidatura do filho Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) ao Senado por Santa Catarina. O movimento reacende disputas internas no partido e provoca ajustes na já delicada engrenagem eleitoral da direita no estado.

De acordo com relatos de bastidores, Carlos Bolsonaro está disposto a transferir seu domicílio eleitoral para Santa Catarina e já iniciou articulações locais para viabilizar sua candidatura. A estratégia envolve integrar uma chapa que terá como nome central o senador Esperidião Amin (PP), figura tradicional da política catarinense, com longa trajetória parlamentar e forte inserção no eleitorado regional. Essa composição, no entanto, deixou de fora duas deputadas federais do PL que vinham sendo cotadas para posições de destaque: Caroline de Toni e Júlia Zanatta, ambas com forte ligação com o bolsonarismo.

O recuo das parlamentares, que agora devem concentrar esforços na tentativa de reeleição à Câmara dos Deputados, reflete a hierarquia de prioridades estabelecida por Bolsonaro e aceita por Valdemar Costa Neto. Ao abrir mão de disputar vagas na chapa majoritária, Caroline e Júlia reforçam a presença da direita no Legislativo, mas perdem protagonismo no palanque estadual. Internamente, a decisão gerou ruídos, já que o PL em Santa Catarina tem buscado consolidar quadros locais, mas acabou cedendo espaço a um integrante da família Bolsonaro vindo de outro estado.

Essa movimentação, contudo, não surgiu de forma repentina. Dentro do PL, já haviam circulado discussões sobre a possibilidade de Carlos disputar por São Paulo ou até mesmo por Roraima, alternativas que chegaram a ser analisadas estrategicamente. O vereador carioca, porém, recusou essas opções de imediato. Segundo interlocutores, ele avalia que Santa Catarina oferece não apenas terreno político mais fértil, como também maior identificação com o eleitorado conservador, condição que facilita sua inserção no debate público e amplia suas chances de vitória.

Nos últimos meses, Carlos intensificou sua presença no estado, participando de eventos conservadores, encontros com lideranças regionais e reuniões com prefeitos ligados à direita. Essas agendas foram vistas como preparação para a candidatura, além de teste para medir a receptividade de seu nome entre os eleitores catarinenses. Ao que tudo indica, os resultados foram considerados positivos, o que fortaleceu a convicção de Bolsonaro em bancar a candidatura do filho. A articulação também ajuda a consolidar a narrativa de que Santa Catarina é uma espécie de “reduto bolsonarista”, condição reforçada pelos resultados expressivos obtidos nas eleições de 2018 e 2022.

A escolha pelo estado não é apenas simbólica, mas também estratégica. Santa Catarina tem sido um dos polos mais fiéis ao bolsonarismo no país, acumulando votações expressivas em favor do ex-presidente e garantindo base sólida para sua rede de apoio. Além disso, o estado abriga uma militância conservadora ativa, prefeitos aliados e uma bancada federal alinhada com pautas da direita. Para Bolsonaro, em um momento de incerteza jurídica e de fragilidade política, assegurar que seu filho esteja em posição de destaque em um território considerado seguro é parte fundamental de sua estratégia de sobrevivência e de continuidade de influência no cenário nacional.

O movimento, entretanto, não deixa de expor tensões internas no PL. Embora Valdemar Costa Neto tenha acatado a decisão de Bolsonaro, lideranças regionais avaliam que a imposição de um nome externo pode gerar resistências entre os filiados locais, que esperavam maior valorização de quadros formados no próprio estado. Ainda assim, o peso político da família Bolsonaro e a força eleitoral que ela exerce em Santa Catarina tendem a silenciar críticas mais contundentes, ao menos no curto prazo. Resta saber se, no médio e longo prazo, a estratégia resultará em fortalecimento da base bolsonarista ou em fissuras internas que possam abrir espaço para adversários.

Com o julgamento de Bolsonaro se aproximando, a insistência na candidatura de Carlos ao Senado por Santa Catarina revela que o ex-presidente trabalha em duas frentes: proteger-se juridicamente e preparar o terreno político para manter viva sua influência, mesmo diante de possíveis restrições futuras. Mais do que um cálculo eleitoral, a decisão expõe o quanto a sobrevivência política de Bolsonaro está diretamente atrelada ao destino de seus filhos, que, cada vez mais, assumem papéis centrais na manutenção do projeto bolsonarista.